Amor entre livros
Parece mesmo uma história saída de um romance, daqueles bem água-com-açúcar.
Quem diria que o encontro deles seria em meio a uma festa de livros, a já famosa Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip? Para quem não sabe, a Flip é um badalado evento de literatura, onde são apresentadas palestras com escritores – Chico Buarque esteve lá –, lançados livros e mostrados filmes, entre outras atrações.
Mas foi no final de semana que passou, num lugar com cerca de 30 mil pessoas, que Pedro e Paula se conheceram. Até então, eram apenas duas pessoas paquerando pela internet. Trocavam e-mails de monte, depois de se conhecerem no Be2. A etapa seguinte foi falar por telefone.
Ele elogiou a voz da moça, ela gostou do seu jeito de conversar. Sempre atencioso e carinhoso. Trocaram muitas idéias. O gosto por livros e poesias era uma coisa forte nos dois.
Pedro sabia vários poemas apaixonados de cor. Paula adorava ouvir o moço declamar para ela. Sempre apaixonadamente. Ela se derretia do outro lado da linha.
Paula citava os livros que amava, quase todos com histórias fortes de amor.
Pois estava chegando o momento deles se conhecerem. Onde poderiam se encontrar?
Pedro é carioca, mora no Rio. Paula é do interior de São Paulo, de Piracicaba.
A Flip estava chegando – este ano foi realizada entre os dias 1 e 5 de julho. Paraty, a localidade onde o evento acontece, é praticamente no meio do caminho entre as duas cidades.
Imaginem se não pensaram nisso que vocês estão pensando! Além de tudo, Paraty é uma cidadezinha linda, parece um cenário de um filme antigo! Para qualquer pessoa conhecer uma paixão ali seria bárbaro, imagine então para duas pessoas que amam livros! Conhecerem-se durante a feira literária era quase um sonho.
Marcaram o encontro, claro!
Cada um reservou uma pousada, para não gerar expectativas demais.
No dia combinado, o segundo dia da Flip, acertaram de se encontrar na praça principal da cidade. Ele de preto, como ficou acertado, ela de vermelho.
Nem precisaram de apresentações. Logo se reconheceram e, encantados um com o outro, começaram a conversar, depois se abraçaram.
De mãos dadas, sentaram-se a uma sombra de uma árvore enorme. E lá passaram algumas horas. O passo seguinte foi dividir um prato num charmoso restaurante. Muitas horas depois, dizem, o apaixonado casal foi visto aos beijos na principal livraria do evento. Trocaram livros e juras de amor, entre histórias inspiradas e poemas imortalizados nas obras de autores importantes, como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.
A vida parece que mais uma vez imitou a arte. Ou seria o contrário?
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