Amor está no ar: rituais de fertilidade, festivais de namoro e festas de colheita
Desde tempos imemoriáveis que se celebram os solstícios, equinócios, ritmos solares, fases lunares ou ciclos das estações relacionados com a fertilidade e a colheita. Os rituais representavam o trabalhar a terra, semear, crescer e o colher, eram dedicados aos deuses e deusas da natureza e serviam para atrair a abundância da terra, da água e abundância de filhos, e para celebrar nesta época do ano o renascimento da terra em sua força de fertilidade (primavera).
Hoje celebramos esses rituais sem nos apercebermos o seu contexto mitológico e ancestral. O próprio Carnaval (festa Saturnália e Dionísia) e o Dia dos Namorados eram originalmente rituais pagãos, dedicados ao deus Lupercal (protetor dos rebanhos e pastores) e Juno (deusa do amor). Em 496, a Igreja Católica declarou oficialmente 14 de Fevereiro como o dia de S. Valentim, patrono dos apaixonados. Como muitas outras datas comemorativas católicas, sua origem está na Roma Antiga, nas festas pagãs de Lupercália, que aconteciam em meados de fevereiro.
A Páscoa também simboliza o rito da fertilidade da terra. Na tradição celta, a Páscoa, é o Sabbat de Ostara, deusa da Fertilidade. Hoje ainda se usam os ovos, símbolos de fertilidade e da reprodução, usados nos antigos ritos da fertilidade.O Holi, festival das cores na Índia que se celebra hoje, 16 de Março, é um festival hindu anual celebrado no dia depois da lua cheia do mês hindu de Phalguna (no início de março). Que comemora a despedida do Inverno escuro, e celebra a chegada da primavera e o amor entre Krishna e Radha.
Em algumas aldeias italianas, o mês de abril era consagrado à deusa Flora. Durante estes festivais eram celebrados jogos chamados de Florália, com danças e ritos de fecundidade e alegres encontros entre moças e rapazes, dançando enfeitados com guirlandas de flores. Enquanto os gregos enfeitavam um galho de oliveira ou louro com fitas coloridas e frutos (chamado eirisione).
No Japão, no primeiro domingo de Abril, acontece o Kanamara Matsuri (ou Festival da Fertilidade), com roupas e músicas típicas, danças, altares enfeitados e desfile com escultura fálica, com cerca de 280 quilos, transportada até ao templo da deusa Takeinadane-mikoto, deusa da fertilidade.
Festas Juninas, em Junho, trazidas de Portugal para o Brasil, são celebrações de origem paga, relacionadas com as festas agrícolas de colheita. Eram festas de agradecimento aos deuses e elementos da natureza, terra, ar, água e fogo, pela boa safra e pedido de proteção para a próxima colheita. Mais tarde esses rituais pagãos, foram adaptados ao cristianismo e dedicados aos santos, Santo Antônio, o santo casamenteiro, São João e São Pedro, e adicionados a quadrilha, casamento caipira, banhos de cheiro, etc.
Nos países nórdicos, no mês de Agosto celebra-se este Festival com as primeiras colheitas – A Colheita do Grão e o Blot nórdico Freyfaxi ou Erntefest.
Em Setembro, o famoso festival de namoro da cidade irlandesa Lisdoonvarna é um dos maiores festivais anuais de casamento e de namoro atuais, que junta o maior numero de solteiros na Europa. Celebrado há mais de 200 anos teve origem nos tempos dos agricultores da costa ocidental da Irlanda se juntavam na cidade nos mercados agrícolas e de gado para negociar e também procurar suas futuras noivas. Hoje é uma atuação turística que enche bares para solteiros, divorciadas, viúvas que buscam bons momentos de dança, muito álcool e o amor das suas vidas.
Estes rituais de fertilidade, sendo muito importantes para todos os povos do mundo, perduraram através do tempo e “Era Cristã” e não houve como apagá-los do quotidiano.
O Amor está e estará sempre no ar!
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