Amor-cabeça

fevereiro 8, 2010 by Maria Lígia Pagenotto · 1 Comment
Filed under: Psicologia 

amor, namoro, paixaoNão vou falar aqui daquele tipo de amor intelectualizado, entre pessoas muito “cabeça”, que mais falam do que qualquer outra coisa… vou falar de uma coisa que li outro dia pesquisando na internet. Vejam que interessante… A gente tende a achar que o amor, a paixão, é algo incontrolável, quem vem do coração, ou não sei de onde, algo que não pode ser estudado pela ciência.
Bem, talvez muitos se decepcionem com o que eu vou escrever, ou não liguem, ou fiquem surpresos. Outros podem não acreditar muito. De qualquer forma, li que o nosso cérebro é quem comanda nossas emoções e sentimentos. Nada de coração apaixonado, hein, agora vamos usar um cérebro pra simbolizar a célebre frase: “Eu amo você”, será? Um cérebro no lugar do coração na palavra “amo”? Seria engraçado!
Mas a verdade é que ver o nosso amado ou amada, sentir o cheiro do seu corpo, encostar em seu cabelo, beijá-lo ou escutar a “nossa” música são experiências positivas que ficam marcadas em nosso cérebro como coisas boas. Essas sensações ativam numa determinada região do cérebro (o sistema límbico) sentimentos e emoções que são muito prazerosas.
“O bem-estar da proximidade do objeto do amor ou da paixão vem pela ativação de um circuito cerebral, o dopaminérgico, chamado também de circuito do prazer ou de recompensa”, diz o psiquiatra e professor do Departamento de Farmacologia da UFMG, Marco Aurélio Romano-Silva. Segundo o especialista, é o mesmo sistema que está ligado à dependência de drogas e a satisfação que o dependente tem ao usá-las. “O sexo também ativa este circuito”, explica Romano-Silva.
Deu para entender? O psiquiatra afirma que um neurotransmissor chamado dopamina é a principal substância deste circuito. Ele é o responsável pela sensação de prazer quando liberado no cérebro, com especial abundância no sistema límbico. Claro que há muitas estruturas do nosso corpo envolvidas na manifestação das emoções, mas esta, no cérebro, justamente, é a principal.
O que chama atenção nesta pesquisa é que o cérebro sempre foi considerado um órgão que a gente usa para questões muito racionais, que exigem raciocínio lógico… E parece que não é bem assim. Eu acho essa notícia boa, porque, em minha opinião, dá um ar mais sério a esse sentimento tão nobre que é o amor.
Ou seja: quem não leva o amor tão a sério, agora pode começar a levar. Amar rende muito papo-cabeça…

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