Cupido e a Primavera florida
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Primeiro foi Lúcia. Há 10 anos não namorava ninguém, desde que seu casamento acabou. Morena, bonita, aparentando bem menos do que seus 42 anos, Lúcia se dizia fechada para um novo relacionamento.
Até que… um email especial piscou em sua tela. Um professor do cursinho a reencontrou pela internet, reacendendo uma antiga paixão adolescente. Ele era casado à época, agora está solteiro e resolveu fazer uma busca para ver se encontrava Lúcia novamente. Suas palavras: “Nunca a esqueci”. Quem não gosta de ouvir uma coisa assim? Encontrei com Lúcia numa noite dessas. Está ainda mais bonita, a pele refletindo sua alegria interior.
Depois foi a vez de Mariana. Esta minha amiga estava há uns 5 anos sem se encantar por um homem. Dizia que sua vida estava ótima assim, que homem dá muito trabalho, que namorar é bobagem, que não tem perfil para casar. Isso até também ser reencontrada por um grande amor que conheceu há exatos 5 anos por meio de um site de relacionamento…
Enrolado com mais de uma mulher na época, acabou sumindo da vida de Mariana. Agora, disponível, reaparece cheio de saudade e de amor para dar. Estaria mesmo sendo sincero? Mariana duvidou, mas somente até ele lhe mandar um email pedindo desculpas pelo passado. Quer se redimir. Como moram em cidades diferentes hoje, combinou de passar o próximo final de semana com ela. Mariana, que achava que a vida estava ótima sem ninguém, agora nem dorme de ansiedade ao pensar no encontro que terá.
Por fim recebo hoje a notícia de que Giovanna é outra contemplada com o cupido nesta primavera. Separada há mais de 15 anos, com alguns namoricos apenas no currículo nesse meio tempo, Giovanna foi redescoberta por um vizinho do bairro. Ambos compartilham a mesma profissão e foram estimulados a se reencontrarem por uma amiga em comum. Giovanna também está radiante com este novo amor. Comprou roupas novas, foi ao cabeleireiro, deu uma geral na casa. Nada mal para quem, como Mariana e Lúcia, há um mês, só pensava em ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa, sem nada mais com o que se ocupar.
Será a estação das flores que trouxe esses antigos amores à tona? Só sei que estou feliz por minhas amigas. Que venha o amor, aproveitem!
Relacionamentos. Há lógica na paixão e no amor?

“E as coisas pelas quais nos apaixonamos – não há lógica nenhuma nelas. O amor é tão variado e imprevisível quanto a chuva: pode vir em rajadas constantes de verão, ou em temporais súbitos e imprevisíveis, que fazem os rios transbordarem (…) pode bater de levinho contra o nosso corpo, ou nos encharcar de tal modo que rouba nossos sentidos. Pode vir de pingo em pingo, ou descer num tremendo aguaceiro. É estranho, é manipulador.”
Susan Fletcher, escritora inglesa, autora de Olhos de Menina
Recebi esta frase de uma amiga, por email. Ela me conta que sua prima está em crise porque se apaixonou por um moço bem mais velho, com filhos já criados e netos. Justo essa prima romântica, comenta! Justo ela que sempre sonhou em casar de branco, véu, grinalda, igreja, festão. Agora encontra pela frente – ou melhor, por um site de relacionamento – um homem que poderia praticamente ser seu pai, descasado duas vezes, interessado em uma companheira que more em casa separada da sua, que não queria filhos.
Mas por que será que seus destinos acabaram se cruzando? E por que será que ela, mesmo com essas diferenças aparentemente cruciais, se apaixonou por este homem?
Porque, ouso dizer, como escreve Susan Fletcher, não devemos buscar lógica na paixão. A lógica deve estar em outro lugar, talvez. Sabemos disso, acho, mas nossa racionalidade muitas vezes vai em busca de uma explicação coerente para aquilo que sentimos, quase numa tentativa de controlar nossa inquietação, nossa angústia, nossa paixão que parece não ter pé nem cabeça.
Mas, ser formos analisar friamente, alem da paixão não parecer ter lógica mesmo – talvez por isso seja mesmo paixão – o amor, como diz Fletcher – também nos aparece de forma imprevisível diversas vezes.
Pegue alguns casais que você conhece e pergunte a eles como seus caminhos se cruzaram. Vai ouvir as histórias mais incríveis, garanto! Imprevisíveis e, por isso mesmo, maravilhosas. O amor pode vir de levinho, como diz a autora de Olhos de Menina. Ou vir em lufadas que quase te derrubam.
O amor e a paixão, acredito. São coisas diferentes, mas se aproximam em alguns pontos. Onde começa um e acaba o outro, afinal? Em algumas histórias fica fácil definir o início, o meio e o fim. Em outras, não. Está aí, acho, a magia desses sentimentos. Repetindo Susan Fletcher, “é estranho, é manipulador”. Sim, é isso mesmo. E talvez por isso mesmo mexa tanto com a gente.
Há lógica ou não na paixão da prima de minha amiga? É amor o que ela sente por aquele homem? Talvez seja, e dos mais genuínos, porque vai contra tudo o que ela idealizou. Talvez haja algo falando mais forte aí. Ela é quem terá de descobrir. O caso é dela, mas nos instiga a pensar em nossas histórias também. Haverá lógica nelas? E precisa haver?
Relacionamento é jogo?
Ele se faz de difícil, mas ela não desiste, ou não quer desistir… primeiro diz que quer, depois fica mudo ao telefone, não responde aos emails, dá um perdido na moça, cai na noite.
Mas Annelise não se abala muito. Ainda bem! Também sai por aí com as amigas, os amigos. Agora, sabe que seu coração e cabeça estão com ele. E insiste porque acha que ele sente o mesmo.
Afinal, se conheceram há mais dois anos num site de relacionamento, ficaram juntos por um ano e meio e aí romperam porque ela cansou do jeito ciumento dele. Só que Annelise não conseguiu ficar distante mais do que dois meses do namorado. Deixou o orgulho de lado e foi atrás.
A princípio ele também disse que queria voltar, e rápido. Ficaram juntos mais um meses, agarrados. Até que ele ficou estranho, esfriou. Annelise não se conformou, mas também não ficou encostando o moço na parede para saber o que estava acontecendo. Resolveu deixar ele alçar seus voos, descobrir o que queria realmente.
Deu asas para a liberdade dele e a sua, de certa forma. Afinal, sabia que não merecia sofrer tanto naquele momento. Algo lhe dizia que ele voltaria.
Mas o processo parece lento e custoso. O rapaz ciumento se transformou num moço difícil. O que Annelise sente é que há ali um jogo. E ela resolveu jogar à sua maneira. “Certas pessoas acham que um relacionamento é puro jogo”, me confidenciou um dia. “Acho que é um pouco mesmo… mas não só isso. E jogo demais também enjoa, cansa”, completou.
Concordo com Annelise… ela também já estava meio cansada de receber recadinhos dele via os amigos, mensagens cifradas no celular, em redes sociais. Joguinho mesmo, e meio bobo.
Mas o fato é que gostava daquele cara e queria insistir mais um pouco. Agora, como fazer isso sem parecer a tonta da relação, não é mesmo? E por que sempre temos este pavor? Especialmente nós, mulheres… Annelise precisa de ajuda, acho eu, de trocar ideias e experiências.
Se alguém tiver algo a acrescentar a moça, que possa ajudá-la, por favor, compartilhe.
O que te dá mais prazer no relacionamento?
É ouvir seu parceiro na cozinha abrindo um vinho em plena segunda-feira, só pra brindar o fato de vocês estarem juntos aquela noite?
É saber que sua namorada ligou só pra dizer que te ama e tá com saudade?
É receber um torpedo bem simples assim: “Espero você hoje às 20h lá em casa”?
É ser surpreendida às 8 da manhã com a campainha tocando e flores pra você?
É poder dormir agarradinho até meio dia no feriado?
É descobrir que ela ou ele comprou aquele pacote de viagem dos sonhos pra vocês?
É ficar em casa debaixo das cobertas jogando conversa fora e rindo muito o domingão todo?
É saber que ela ou ele abriu mão de uma festa de um amigão ou amigona só pra cuidar de você com gripe?
É sentar num banco de praça e namorar muito?
É tomar sorvete no verão à noite e caminhar de mãos dadas depois de volta pra casa?
É bebericar uma cerveja numa mesinha ao sol e ver o quanto ele ou ela se interessa por suas histórias?
O que te dá mais alegria num relacionamento? Conte pra gente!
Site de relacionamentos, dizem que quem procura um dia acha
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Quanto tempo fazia que não se viam? Ela começou a fazer as contas… uns 12 anos. Não, imagine, já fazia pelo menos uns 15. Daí pensou melhor e veio o número verdadeiro: exatos 23 anos sem ver aquele homem! E agora, sabe-se lá por que, ela o encontrou num site de relacionamentos…
Dizem que quem procura um dia acha. Ela o procurou por anos. Nos bares em que costumavam freqüentar juntos, nas ruas do bairro onde ele havia morado quando eram namorados, na linha do ônibus que tomaram tantas vezes juntos para ir ao cinema, ao teatro…
E nunca, nem uma vez sequer, o viu. Nem de longe, nada. E agora estava ali, diante do seu nome, sua foto, seu perfil. Uma possibilidade de amor que surgia para ela. Será? Deveria arriscar mais um pouco? Afinal, não estava satisfeita com o tanto que havia sofrido por aquele homem que a deixou sem dar satisfação alguma? Estava disposta a sofrer um pouco mais?
Agora, 23 anos depois, ela estava com 2 filhos pequenos para criar, de uma outra relação. Descasada, com um emprego bom, com vontade de namorar. Mas não tinha planos de casar tão cedo. E o que a esperava? Por que foi dar com aquele nome ali, justo aquele nome que martelou tantos anos em sua cabeça?
Ele parecia mais velho do que ela na foto em que se mostrava, embora tivessem a mesma idade. Estava bem mais gordo, meio careca. E se vestia com o mesmo estilo, bem despojado. Disso ela gostava. Parecia que ele quase não havia mudado. Só ganhado algumas rugas e quilos a mais.
Foi para o espelho conferir suas rugas. Também tinha adquirido algumas ao longo desses 23 anos. Mas não via isso com espanto. No mais, achava-se bem, não havia engordado e agora se vestia com mais personalidade.
Na sua cabeça, levava vantagem sobre ele. Viu que ele também era separado, tinha 2 filhos. Um crescido e um pequeno ainda. Curioso, pensou… seriam de uma mesma relação?
Ficou olhando para ele e vendo um filme passar na sua cabeça. Que saudade sentia daquele beijo, daqueles braços. E daquela risada, então… Parecia que ainda ouvia sua voz e podia sentir seu cheiro.
De repente, vinha a raiva de novo na sua cabeça, via-se largada por ele e então só queria se lembrar disso, para ser forte e resistir ao seu encanto mais uma vez. Só queria se lembrar do monte de telefonemas que nunca foram respondidos, das inúteis tentativas de falar com ele e entender por que havia desaparecido.
Mas a lembrança de seu cheiro bom e seus abraços apertados vinham mais forte se sobrepunham, deixando-a confusa… foi então que escreveu uma mensagem para ele e, antes que pudesse se censurar mais uma vez, apertou o botão para enviar o recado…. queria revê-lo. Será que seria correspondida?
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